<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748</id><updated>2011-06-30T09:33:43.507-03:00</updated><category term='nostalgia'/><category term='conto'/><category term='arquivo'/><category term='delírio'/><category term='rascunho'/><category term='devaneio'/><category term='mini-conto'/><category term='cinema'/><category term='citação'/><title type='text'>Post Scriptum</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>38</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-4525464081043119835</id><published>2006-12-14T16:16:00.000-02:00</published><updated>2006-12-18T16:37:45.349-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rascunho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>14 Polegadas</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Ela sentia-se perfeitamente confortável com o fato de não ser notada: sentia prazer em ter sido completamente esquecida por todos os seres que um dia conheceu ou amou. Alimenta-se da rotina e da solidão que foi construída ao seu redor. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Vivia numa velha pensão, perto da rodoviária da cidade: lugar dos esquecidos, dos seres em trânsito. Ninguém ficava por ali muito tempo, com exceção de uns poucos, é claro, que tinham conseguido arrumar algum tipo de ganha-pão por ali, ou haviam se perdido no meio do caminho de suas vidas; Viam-se por ali velhos hotéis esquecidos,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;pensões e restaurantes baratos, lugares decadentes, mal conservados, fachadas do passado, comidas pelo tempo, e ela. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Ela morava em um pequenino quarto. Dentro dele, duas camas de alvenaria, uma sobre a outra, construídas como se fossem uma espécie de beliche. A de cima era usada como suporte para alguns objetos: uma samambaia, que ela colocava todos os dias para fora, um despertador de corda e, no canto, alguns utensílios básicos de cozinha, junto com um filtro de água feito de barro. Nunca, em todo o tempo que morava ali, a cama serviu para seu propósito primário, pois ninguém nunca a visitara. Havia ainda, no canto, uma cômoda, onde guardava suas roupas, um par de chinelos e um par de sapatinhos leves, sem cadarço, e, em cima, uma televisão de 14 polegadas. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;A televisão era mantida ligada por quase todo o tempo ficava acordada, e, de certa forma, ela era sua única companheira. Ela não tinha consciência, mas era a televisão que a afastava do sentimento de solidão e também era ela que a impedia de se lembrar dolorosamente do fato de ter sido esquecida pelo mundo e, assim, podia até sentir conforto em sua situação. A televisão tornou-se o único membro de sua família, viviam juntas e compartilhavam quase tudo. Juntas elas riam, choravam, se emocionavam Ás vezes até, empolgada com alguma coisa que era mostrada, falava com a tevê, outras vezes, incomodada ou chocada com o que era mostrado, ficava de mal de sua companheira. Mas sempre, sempre, fazia as pazes, arrependida. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A primeira vez que aconteceu foi na forma de uma linha brilhante horizontal: a imagem se condensou e se distorceu, formando uma faixa bem no meio do tubo; ela foi pega de surpresa em meio a sua novela preferida, o som, porém, continuava funcionando, ainda podia ouvir o dialogo emocionado dos protagonistas. Um pedido de desculpas adiantado e uma leve batida resolveram o problema. Isso a preocupou por um tempo,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;porém, o problema não se repetiu mais, e foi, algum tempo depois, esquecido.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Todos os dias ela se levantava bem cedo e com dois dedos precisos media sua pulsação, comparando-a com os ponteiros dos segundos de um velho relógio automático que sempre carregava consigo. Esse relógio era a única coisa que sobrou do marido,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;único e último elo com sua vida passada. Ela tinha sido enfermeira durante muitos anos, fato que a deixava muito orgulhosa;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;gostava da idéia de ter ajudado inúmeras pessoas desconhecidas e, até hoje, lembrar-se do rosto de muitas delas, que a visitavam em sonho, e algumas vezes, até se lembrava delas acordada.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Depois de conferir o andamento de sua pulsação, ela vestia seu vestido roxo, o único que usava em suas rápidas saídas,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e seus sapatos. Corria até o tanque para escovar seus dentes, passava no banheiro e voltava para o quarto, e, assim, estava pronta. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Olhava com cuidado pela janela. Depois, se não percebesse nenhum movimento, saia. Caminhava arrastando um pouco os pés, andava para lá e para cá no corredor, parando de vez em quando para medir sua pulsação. Eram seus exercícios matinais. Assim, ela acreditava manter seu coração saudável, acreditava poder alongar um pouco mais sua vida. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Nunca saia para passear. Apenas atravessava a rua, uma vez por dia, para comprar&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;comida pronta que a cozinheira da pensão separava para ela, e que era incluída no preço de seu aluguel. Não gostava de comer na cozinha, preferia comer em seu quarto. Junto, ela recebia um pedaço de pão e outros mantimentos, que ficavam a cargo da cozinheira escolher,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;assim, não precisava ir até o supermercado. Além disso, saía uma vez por mês apenas, e andava por dois quarteirões até o banco onde recebia sua aposentadoria, sua única fonte de recursos. Uma pequena aposentadoria, pois tinha sido obrigada a abandonar seu emprego, por pressão de seu marido e agora recebia uma pensão pela morte dele. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Ele não queria que ela trabalhasse. Ainda mais depois que nasceu a filha do casal. Ela era prematura, doente, o pai achou que ela&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;necessitava de cuidados constantes. E assim, abandonou sua profissão e passou a cuidar apenas da filha. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Quando o marido morreu, não dava mais para sustentar a velha casa, então, ela vendeu a casa e se mudou para a casa da filha, onde moraria num quarto nos fundos. Doou todo o dinheiro da venda para a filha, disse que ela precisava mais do que ela do dinheiro, que assim se sentiria menos culpada em morar ali. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Logo, o genro cansou da presença dela. Via nela uma velha que ficava observando tudo, xeretando. Começou a desenvolver pavor da velha. Ela passava por trás da casa, para não atrapalhar as coisas da casa, e ele via nisso uma espécie de provocação. Queria que ela fosse embora, mas não via como. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;A dona da casa ficou grávida e ele viu, finalmente, uma utilidade na sogra, ela ajudava a cuidar do bebê, durante os primeiros meses ele a tolerou dentro de sua casa, cuidando de sua filha, mas o sentimento de ser observado permanecia e o incomodava muito. Ele não resistia à tentação de maltratá-la e depois de um tempo, começou a maltratar a esposa também. Queria a velha fora dali, de qualquer maneira. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Um dia, a velha teve que dar banho no bebê, porque a filha não se sentia bem, ela segurava o bebê com gentileza sobre a banheira de plástico, e, carinhosamente ia lavando o pequeno ser. Não havia problemas nisso, já havia feito inúmeras vezes aquilo. O genro reparou naquele ato, na delicadeza com que ela fazia aquilo e por um momento sua implicância quase foi embora, sentiu um certo remorso por tratá-la tão mal. Subitamente, ela sentiu uma pontada, uma dor repentina em seu peito que fez com que perdesse momentaneamente o controle de seus braços, a visão sumiu e, sem que percebesse,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;deixou a criança cair.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Os olhos do homem cerraram, ele não acreditava no que via, a criança caindo das mãos da velha. Seu ódio voltou, exponencialmente aumentado. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Ele exigia que a velha fosse morar em outro lugar, a filha, sempre submissa, acabou cedendo, conversou com a mãe e disse que não tinha jeito, que iam arrumar um lugar bem bom para que ela morasse, que não iria abandoná-la. Saíram para levar o bebê ao hospital. Ela não esperou que voltassem, pegou suas coisas, tudo que podia carregar, e foi embora, entrou em um ônibus para longe dali e alugou o quarto de pensão, onde mora desde então. Disse para si mesma que era temporário, que era só até a poeira baixar, mas a vergonha e o medo do marido de sua filha a afastou daquela casa, a impediu de visitar sua filha e neta, e nunca mais voltou lá.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;No início, a velha sentiu-se desamparada. A solidão, a vontade de ver a filha e a neta eram grandes. Agora seu mundo era aquele pequeno quarto de pensão, sempre no mesmo lugar, isolada, com sua companheira virtual, evitando todos os outros moradores. Sentia-se envergonhada por sua aparência, por seus cabelos brancos e cada vez mais ralos, pela falta de cuidados que tinha que impor a si mesma pela escassez de recursos. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Aconteceu de novo. O risco vertical voltou a ocupar a tela da televisão, mas desta vez, o som também se comprometeu. Saia um ruído eletrônico, ameaçador, um ruído de sofrimento de uma coisa inumana que morria. Não arriscou pedir perdão nem bater desta vez. Não teve coragem nem mesmo de chegar perto. De repente, um cheiro de queimado, um pouco de fumaça e a televisão apagou de vez. Num gesto rápido puxou o fio da tomada. Mas já era tarde. A televisão já não funcionava mais. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Naquele dia, não teve vontade de ir até a cozinha da pensão fazer seu prato de comida, ficou em casa, sem saber o que fazer. Não conseguia pensar em outra coisa. Depois daquela noite de insônia, não conseguiu mais retomar sua rotina, fazer seus exercícios. Não tinha fome, nem vontade de sair, nem mesmo para seus exercícios.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;O medo de ter um problema sério no coração voltou com toda força, ficava sentindo seu corpo, imaginando que morria a qualquer momento. Cochilou um pouco e acordou depois de um sonho com a televisão: o aparelho diria que ela morreria também, com ela, apagaria para sempre. Desesperada, ela acaba tomando coragem para procurar sua filha, precisava de alguém.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Ela se arruma o melhor que pode e sai. Enquanto espera o ônibus, já sente a vontade diminuir, as lembranças ruins começam a se sobrepor. Mesmo assim ela entra no ônibus, mas não consegue ignorar o cheiro, as pessoas, os barulhos dos sapatos arrastando na areia deixada no assoalho do veículo. Ela, não pode mais continuar, salte na próxima parada, transtornada. Olha ao seu redor, mas não sabe o caminho de volta, começa a andar sem rumo, perdida, confusa. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;De repente ela uma loja com inúmeros televisores atraem sua atenção, os televisores mostram a imagem da rua, ela se aproxima e todos agora mostram sua imagem. Isso a faz sentir algo estranho, exerce um poder estranho sobre ela. Ela dividida e multiplicada nos televisores. Ela se ajoelha e coloca suas mão sobre a vitrine, sente vergonha de sua imagem, mas sente-se atraída. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Alguém, um vendedor, vem tirá-la de lá. Ela não quer sair, luta, e sempre volta para o lugar. Acham melhor deixá-la lá. Ela fica até o final do expediente, quando fecham a loja. Então, ela fica sozinha novamente. Confusa ela se senta na sarjeta. O movimento quase cessa, mas depois volta. Estranhas pessoas começam a aparecer, a circular pelo lugar. Ela sente medo e resolve sair dali.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Ela tira o relógio, mede sua pulsação e começa a andar, andar sem rumo. Perdida, ela anda durante toda a noite, anda em círculos, tentando fugir, tentando encontrar seu caminho. O sol começa a nascer e junto com o sol nasce uma pequena dor no braço direito, uma dor que começa a tornar-se mais aguda. Ela apenas continua andando, parece reconhecer o caminho, não saber se ele a leva para a antiga casa ou a casa da filha ou mesmo para o cemitério onde está enterrado o marido. Os pés doem muito, o peito agora também dói, mas não pode parar, não mede mais a pulsação, tem medo de saber. No limite da cidade, ela caí de joelhos, não pode mais suportar a dor. Tenta olhar o relógio, mas ele está parado. Nunca parara antes, ela sente medo, os dedos estão roxos como o vestido, a respiração difícil, o relógio cai de suas mãos, e ela, rezando baixinho, cai também. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-4525464081043119835?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/4525464081043119835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=4525464081043119835&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/4525464081043119835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/4525464081043119835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/12/14-polegadas.html' title='14 Polegadas'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-2692980229620934152</id><published>2006-12-14T11:14:00.000-02:00</published><updated>2006-12-18T16:39:28.015-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mini-conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírio'/><title type='text'>Escolhas</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Ele está preso dentro de si. O papel acabou há algum tempo e agora ele escreve sobre seus móveis, escreve no mundo ao seu redor, coloca ali sua metafísica. Começou a escrever para esquecer de si. Mas não podia: dentre todas as opções que um dia teve, sobravam agora apenas a pobreza e o suicídio.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Sua loucura o havia jogado na primeira, sentia a sarjeta cada vez mais próxima. Em breve seria colocado na rua e sabia que não poderia suportar. O suicídio, agora, era a única saída.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Começou a escrever e escrever, gastando a si mesmo, pouco a pouco, se desfazendo, se dissolvendo em palavras. Em breve estará vazio e então, morrerá. Dirão, eles dirão, que foi de inanição, que ele se trancou e morreu de fome, mas não foi, sabemos que não foi, sabemos que sua alma se foi, toda ela, em uma sangria de palavras ilegíveis espalhadas ao seu redor... &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-2692980229620934152?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/2692980229620934152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=2692980229620934152&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/2692980229620934152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/2692980229620934152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/12/escolhas.html' title='Escolhas'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-7498642027764522527</id><published>2006-12-14T09:37:00.000-02:00</published><updated>2006-12-18T16:39:16.477-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírio'/><title type='text'>filosofia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Digo, veementemente, que nossa existência é impossível. Você ri... Ah, claro que ri, mas eu digo, senhor, que nada, absolutamente nada pode surgir do nada, como é possível que você e eu e tudo o mais exista? Não há explicação. E não me venha com esta história de Deus. Deus também não pode ter surgido do nada, certo?... Eu não existo, eu não sou, eu...”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-7498642027764522527?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/7498642027764522527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=7498642027764522527&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/7498642027764522527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/7498642027764522527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/12/filosofia.html' title='filosofia'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-9096302542946142075</id><published>2006-12-12T16:30:00.000-02:00</published><updated>2006-12-18T16:38:57.831-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mini-conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírio'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana antes sua mãe tinha sido internada com um grave derrame no hospital, o que, eventualmente, tirou a vida dela. Ele agora estava só, perdido. Viveu a vida toda com a mãe, sendo mimado, acalentando, protegido, agora, se nada fosse feito, em breve morreria de inanição. Beirava os quarenta anos e não tinha nenhuma forma de subsistência.&lt;br /&gt;Uns quinze dias se passaram e ele não saia de casa, a comida toda tinha se acabado e ele estava faminto. A começava mostrar total desordem, a força que a mantinha em ordem desaparecera e o caos podia tomar conta do lugar. Delirava  de fome e desespero, mas não tinha a quem recorrer, a não ser a mãe, e agora ela se fora.&lt;br /&gt;Até agora, ele não tinha tido coragem para entrar no quarto de sua mãe, ver a velha cama com o retrato da família ao lado. Mas, desesperado, esperava encontrar alguma coisa  escondida lá, alguma comida secretamente deixada por sua mãe, antevendo a situação futura em que ele se encontraria. Vasculhou tudo, todos os bolsos e gavetas, sempre com os olhos da velha mãe olhando através da foto preto e branco em cima da cômoda.&lt;br /&gt;Não encontrou nenhum dinheiro, nenhum traço de algo que pudesse acalmar seu desespero.&lt;br /&gt;Continuou procurando, vasculhando, até que, de repente, mexendo em um dos vestidos caiu um velho cartão-postal: uma gravura de uma velha mulher, uma espécie de bruxa de mármore.&lt;br /&gt;Pegou o cartão e olhou a gravura e, talvez pela fome, começou a notar a semelhança da mulher com sua mãe. Virou o cartão e olhou o que estava escrito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que não pode mais viver sem mim, também não posso mais esperar, preciso que venha ao meu encontro. Venha agora. Não espere, não tenho mais tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De sua adorada, M.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha, M. era sua mãe, Madalena. Reconhecia a letra. Sem dúvida se tratava de um milagre. Pegou o casaco que sua mãe, antes do ataque, havia pacientemente pregado um botão. Como sempre, um trabalho perfeito, meticuloso, nenhuma ponta de linha solta era visível. Ele suspirou abraçando o casaco e disse:&lt;br /&gt;“Ah, minha adorada mãe, estou indo, não a deixarei esperando...”&lt;br /&gt;Era de noite e não havia como entrar no cemitério, a não ser pulando o muro. A noite estava tão escura naquele dia, não havia nem sinal da lua; nuvens pesadas cobriam todo o céu, movendo-se como se fossem algo vivo tentando tomar forma. Ele não trouxera nada para iluminar o caminho, mas, mesmo assim, pulou o muro que o separava de sua mãe.&lt;br /&gt;Lá dentro, um relâmpago e um trovão quase o fizeram desistir. Viu toda a extensão do cemitério por um segundo, depois o barulho tenebroso, e tudo se foi de novo.&lt;br /&gt;“Onde estará?”&lt;br /&gt;Começou a andar, tateando, chorando, o medo tomava conta dele. A chuva começou a cair, pesada, torturando-o ainda mais. Não podia encontrar o túmulo de sua mãe, parou em um canto, encolhido, com frio, esperando que algo acontecesse. Adormeceu por um instante e quando acordou, a chuva havia passado.&lt;br /&gt;Levantou-se para reiniciar sua busca quando, repentinamente, viu um clarão azul se levantar de um túmulo, uma luz terrível e espectral. Primeiro quis correr, mas achou que aquilo era um sinal. O fenômeno ocorreu novamente, com mais intensidade.&lt;br /&gt;Ele andou até lá, escorregando, caindo, sujando-se todo de lama. Quanto mais perto chegava, mais alto recitava pedaços de orações, todas aprendidas com a mãe, repetidas diariamente antes de dormir.&lt;br /&gt;Achou o lugar de onde vinha a luz, era um túmulo era recente, ainda não tinham coberto o monte de terra que tinha sido colocado sobre o caixão. Reconheceu o túmulo da mãe. Era ali, tinha certeza. Pediu perdão, perdão por não ter conseguido dar um túmulo decente, por não ter tido coragem de sair de casa e aprender a viver. Ele chegou mais e mais perto, ainda com medo, sua mãe estava morta, definitivamente morta. Um clarão brilhou novamente, viu, na cruz, um nome que não era o de sua mãe, chegou mais perto e viu, estava escrito seu nome, sua data de nascimento e na data da morte, estava a data do dia que nasceria em breve. Reparou que havia um túmulo ao lado, coberto de erva-daninhas, aquele sim, o túmulo de sua mãe. O homem perdeu o controle e caiu de joelhos, chorando de medo, como uma criança desamparada, chorou até que, baixinho, baixinho, ouviu uma canção de ninar, e sentiu braços em volta de seu corpo. Já não sentia mais medo, sentia-se confortado com a voz familiar, conforto tão grande que o fez cochilar e, finalmente, dormiu, para não mais acordar.   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-9096302542946142075?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/9096302542946142075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=9096302542946142075&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/9096302542946142075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/9096302542946142075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/12/eterna-criana.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-8138511128623130205</id><published>2006-12-11T15:08:00.000-02:00</published><updated>2006-12-11T15:09:04.223-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If, at one sitting, he caught a glimpse of what            happened to be a genuine and permanent expression, it would probably            be less perceptible, on a second occasion, and perhaps have vanished            entirely, at a third. &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;          -- Hawthorne,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; The Marble Faun &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-8138511128623130205?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/8138511128623130205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=8138511128623130205&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/8138511128623130205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/8138511128623130205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/12/if-at-one-sitting-he-caught-glimpse-of.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-8187401386798350731</id><published>2006-12-11T14:47:00.001-02:00</published><updated>2006-12-11T14:47:44.217-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='nostalgia'/><title type='text'>Infância</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Quando criança corria descalço por ruas de terra e fumava, escondido, bitucas de cigarro. Meu pai — eu com quatro anos — me deu, todo didático, o primeiro gole de cachaça: “Isso é pra te ensinar a beber meu filho, porque se eu descobrir que um dia a bebida está bebendo você, arrebento sua cara”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Bolinhas de gude. Pipas. Fugir para nadar escondido. Fugir para o telhado. Subir em árvores. Correr a toda velocidade de bicicleta, trombar, cair, cicatrizes. Ah, quantas cicatrizes. Para enumerá-las precisaria de um&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;longo texto. O mundo mudou tanto, na infância sonhava com oceanos, piratas, fragatas, viagens, descobrimentos, viagens espaciais, espaço naves, cowboys, espiões, hoje, o que sobrou hoje? O que se pode esperar desta vida? Fui arrancado de um tempo e jogado em outro, vivo todo momento a nostalgia do passado, não consigo ver a ligação, só sinto uma dolorosa ruptura...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-8187401386798350731?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/8187401386798350731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=8187401386798350731&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/8187401386798350731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/8187401386798350731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/12/infncia.html' title='Infância'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-1776295347404839551</id><published>2006-12-11T14:19:00.001-02:00</published><updated>2006-12-11T14:20:18.492-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírio'/><title type='text'>Vozes do Espelho</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Você... &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;é, você mesmo, que está aí, parado, espremendo esta espinha. Aproveite enquanto tem alguma vida, pois um dia serás tu a ser espremido: um carnegão purulento, expelido, por imundos dedos divinos, desta vida sem sentido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-1776295347404839551?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/1776295347404839551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=1776295347404839551&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/1776295347404839551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/1776295347404839551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/12/vozes-do-espelho.html' title='Vozes do Espelho'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-6994608290642929266</id><published>2006-12-11T14:13:00.001-02:00</published><updated>2006-12-12T16:33:29.043-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arquivo'/><title type='text'>Dancing with Myself</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;A tristeza, sem aviso, veio, e nunca mais o abandonou. Ele tinha um emprego horrível, balconista, sorrisos forçados, pessoas&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;e mais pessoas. Nas folgas, lia muito, dormia pouco e, normalmente, comia mal. Preguiça de cozinhar, melhor ler até mais tarde e comer alguma coisinha aí. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Nos fins-de-semana, invariavelmente, ia a um velho bar gótico. Ia para dançar, para esquecer, por um momento, que existia e assim, somente assim, conseguia que a tristeza o abandonasse, pois já não tinha mais onde se agarrar. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Saiu do trabalho, mãos no bolso, passou e comprou uma garrafa de vinho barato, pensava em Poe e Baudelaire. Finalmente era sexta-feira. Andou pelas calçadas do centro, sentindo o vazio na multidão. Virou a esquina e encontrou o velho cemitério da cidade. Às vezes, ele visitava o cemitério e passava horas ali, olhando os túmulos, vendo aquela multidão. Uma multidão como a outra, mas esta, identificada com plaquetas, na morte não eram mais anônimos. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Viu um túmulo com uma imagem em tamanho real de Cristo, gostou da estátua e sentou-se ali para beber sua garrafa de vinho. Viu o nome do túmulo e o mais recente, entre tantos nomes, era o de uma mulher. Entre goles de vinho mantinha um animado diálogo com a mulher, sobre seus gostos, suas fantasias. Derramou um tanto do vinho sobre o túmulo e deixou a garrafa. Saiu andando, sentindo o efeito do vinho, em direção ao metrô. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Parou na beira dos trilhos, esperando o trem. Estranhos pensamentos sempre passavam por sua cabeça neste momento. Durante muito tempo, ele pensou que o suicídio ideal era jogando-se nos trilhos, quando o trem chegasse, no horário de pico. Imaginava a reação das pessoas. “Terá sido acidente?” Imaginava o que pensariam os conhecido, o arrepio que sentiriam ao imaginar o momento de sua morte. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Mas, de tanto imaginar isso, acabou ganhando pavor das rodas do metrô. Sentia-se aflito, quando a multidão, saindo do trabalho, toma a estação, quando ele vem e o empurra de maneira inexorável em direção ao limite, a faixa amarela que demarcava o fim, era empurrado um passo além da faixa, um passo a mais e seria a queda, sentia um enorme terror, qualquer movimento, qualquer comoção e o empurrariam para a morte. O medo chegou a ser tão forte durante um tempo, que evitou o metrô, durante meses foi embora a pé ou de ônibus. Teve pesadelos onde sentia-se empurrado por um grupo disforme de pessoas sem rosto. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Entrou em casa e abriu outra garrafa de vinho. Pela janela, ficou observando um lindo pôr-do-sol vermelho, era hora de acordar. Ligou a aparelho de som e foi tomar banho. Colocou para tocar uma música que adorava, saiu dançando, nu, pela casa onde morava.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;i&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;On the floor of Tokyo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Or down in London town to go, go&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="FONT-WEIGHT: normal"&gt;With the record selection&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;With the mirror reflection&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;I´m dancing with myself&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Enquanto dançava separava sua roupa preta, seu par de coturnos, vestiu cuidadosamente cada peça de sua fantasia. Diante do espelho, a melhor parte: jogou os cabelos para trás e começou a passar a maquiagem, o rosto cada vez mais branco, os olhos e os lábios negros, repintou cuidadosamente cada unha, e estava pronto para sair, e saiu com a música em sua cabeça. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;When there´s no-one else in sight&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;In the crowded lonely night&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Well I wait so long&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;For my love vibration&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="FONT-WEIGHT: normal"&gt;And I´m dancing with myself&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Andou pela noite até enjoar, até chegar ao velho bar e começar o antigo ritual: entrou na fila, foi carinhosamente revistado e entrou em seu mundo, as velas e as paredes negras, tudo perfeito como sempre. Pediu vinho e esperou até que o lugar enchesse, as pessoas iam chegando, vestidas como ele e tomavam seu lugar. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;A música começou a tocar lá embaixo, ele desceu ao porão: escuridão&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;intercalada por flashs estroboscópicos, música alta, as pessoas transformadas em uma seqüência de instantâneos. Dançou até não sentir mais as pernas, dançou até não sentir mais nada...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;If&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;I looked all over the world&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;And there's every type of girl&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;But your empty eyes&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;Seem to pass me by&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="FONT-STYLE: italic"&gt;Leave me dancing with myself&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Exausto, abandou o porão e subiu para o bar. Sua mesa favorita estava vaga, com uma vela acesa no centro, sentou-se nela e acendeu um cigarro. Ficou ali, perdido em seus pensamentos: lembranças, poesias, e a dança maravilhosa que a chama da vela realizava.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;So let's sink another drink&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;'Cause it'll give me time to think&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;If I had the chance&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;I'd ask the world to dance&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;And I´ll be dancing with myself&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent3"&gt;A vela apagou-se de repente. &lt;ins cite="mailto:Marco" datetime="2006-12-11T14:05"&gt;E&lt;/ins&gt;&lt;span class="msoDel"&gt;&lt;del cite="mailto:Marco" datetime="2006-12-11T14:05"&gt;&lt;/del&gt;&lt;/span&gt;ra uma garota: &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent3"&gt;“Acorde!”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent3"&gt;Ele voltou para o mundo, sentindo um desconforto pela forma abrupta com que foi tirado de seu transe. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent3"&gt;“Oi!”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent3"&gt;“Como vai?,” ela disse, já sentada à mesa. Seguiu-se uma conversa fútil, ela o conhecia do trabalho, ele não se lembrava dela. Ele não queria companhia, sabia onde isso ia dar, e mal respondia, até que ela perdeu o interesse e se foi.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;If I looked all over the world&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;And there's every type of girl&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;But your empty eyes&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;Seem to pass me by&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="FONT-STYLE: italic"&gt;Leave me dancing with myself&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Isso acabou com sua noite, não havia mais nada a fazer, hora de ir embora. Olhou ao redor, tomou o último copo de vinho e tomou o caminho da rua. Tirou um relógio de bolso e observou as horas. Não havia metrô ainda, faltava meia hora. Resolveu então ir andando até a estação, iria aproveitar o pouco que restava da noite. Distraído, com os cabelos jogados em seu rosto, só percebeu um grupo andando em sua direção quando já era tarde demais, tentou passar sem ser notado.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;“Hei, viadinho!”, disse um deles colocando o braço na frente de seu caminho.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;“Como é que vai passando assim?”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;“Olha a cara do viadinho, tá pintado igual uma puta morta...”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Ele tentou andar, e foi segurado novamente.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;“Olha o respeito viadinho, vai ter que pagar um boquete pra galera aqui se quiser passar...”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Ele não respondeu nada. Não tinha nada para responder. O silêncio não os agradou. O primeiro soco foi no estômago, jogando-o contra a parede.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;“Não devia andar por aí assim!”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Sentiu-se impotente, que fazer? Lembrou se dos valentões da escola, ficar quieto era melhor, em algum momento eles se cansavam e iriam embora. O soco foi forte dessa vez, tudo escureceu e ele caiu no chão, os coturnos voaram sobre suas costelas e barriga. O dia começou a clarear, eles, como era esperado, se cansaram e foram embora, a dor começou a aumentar, gosto de sangue, de vômito, ele ainda conseguiu vê-los entrando na estação, estava tão perto, faltava o ar, uma costela tinha atravessado o pulmão, tentava inutilmente puxar o ar, gosto de sangue na boca, tentou se virar e viu &lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;o mundo renascendo, lágrimas enegrecidas de maquiagem rolaram em sua face e cessaram, junto com sua vida, junto com a noite que morria.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;Oh dancing with myself&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;Oh dancing with myself&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;If I had the chance&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;I'd ask the world to dance&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;If I had the chance&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;I'd ask the world to dance&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;If I had the chance&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="color:black;"&gt;I´d ask the world to dance&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"   style="font-family:System;font-size:10;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"   style="font-family:System;font-size:10;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-6994608290642929266?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/6994608290642929266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=6994608290642929266&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/6994608290642929266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/6994608290642929266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/12/dancing-with-myself.html' title='Dancing with Myself'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-6606748766664793982</id><published>2006-12-04T10:45:00.001-02:00</published><updated>2006-12-12T09:50:12.721-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírio'/><title type='text'>Mickey</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;Algum tempo atrás, morei em um outro país, na condição de imigrante ilegal. Morava em um lugar horrível, onde eu pagava um aluguel superfaturado, porém, em compensação, ninguém fazia perguntas. Nesse lugar, havia um gato, ironicamente, chamado por todos de Mickey. Mickey ficava o tempo todo me olhando, me censurando. Ele estava sempre lá, em cima do muro, seus olhos de risco me acompanhando durante o dia, seus olhos redondos e brilhantes me acompanhando durante a noite. Estranhamente, sentia que ele lia minha mente e conhecia toda minha situação. Ele me queria fora dali. No meu último dia lá, trabalhei o dia todo e, quando cheguei, ele estava como sempre, parado, me olhando. Mas neste dia foi diferente. Ele tinha conseguido o que queria, conseguido me fazer ir embora, mas, ele iria pagar também: eu tinha comprado veneno de rato. Entrei em casa e pensei em queijo, mas não serviria, abri uma lata de sardinhas. Sardinhas e veneno sobre o muro. Voltei para meu país no dia seguinte, entretanto, depois desse dia, nunca mais em minha vida suportei o olhar de gato algum. Eles todos sabem...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-6606748766664793982?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/6606748766664793982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=6606748766664793982&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/6606748766664793982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/6606748766664793982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/12/mickey.html' title='Mickey'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-4746517581418861214</id><published>2006-12-04T09:33:00.000-02:00</published><updated>2006-12-04T16:39:55.292-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mini-conto'/><title type='text'>CEO</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;O grande homem de negócios, executivo, CEO, está sentado, vendo pássaros e helicópteros passar. Sentindo o vento em seu rosto, ganhou coragem e começou, para si mesmo, sua última palestra motivacional:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;“Nasci, mas foi só por um momento, naquela horrível cidade pequena. Mas foi só por um momento. Logo tudo se acertou e me tornei o que sou até hoje, um cidadão do mundo. Meu lugar é nas grandes cidades, imensas: São Paulo, Nova Iorque, Tóquio... Não saberia viver, não conseguiria respirar em outro lugar. Conquistei meu lugar aqui, tenho tudo que sempre quis, faço, praticamente, tudo que quero, sim, tenho este direito, eu agarrei meu destino com força, e o conduzi para onde quis...”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;Estava pronto: enrolou sua gravata na carteira e colocou ao seu lado, não queria que um bilhete que escrevera voasse por aí. No bilhete, estava escrito: &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;“Adeus mundo, porque estou entediado, porque nada mais faz sentido...”&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;Tudo pronto, deixou-se cair do alto do prédio da companhia, sentindo-se confiante e motivado. Porém, no fundo, não conseguia esquecer a terrível vergonha passada, seguidas noites, com a nova e linda secretária.&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-4746517581418861214?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/4746517581418861214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=4746517581418861214&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/4746517581418861214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/4746517581418861214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/12/ceo.html' title='CEO'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-5510307174040230295</id><published>2006-12-01T14:48:00.000-02:00</published><updated>2006-12-01T14:50:09.321-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Não sei se mentiram para mim. Não há mais lembranças de onde foi que começou esta crença, mas depois da fome, do cansaço, o que vem? Anos lutando para me tornar algo que já era e, no fim, acabo não sendo mais o que sempre fui.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Lutamos para manter a ordem: de nossos corpos, de nossas vidas, mas, no fim, tudo se esvai. Penso no mundo sem a humanidade, onde as coisas simplesmente viveriam, sem consciência de si mesmas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Minha consciência me diz que perco tempo com pensamentos absurdos. Nos dias de hoje, não querem que perca tempo sonhando com passados remotos que não nos dizem respeito ou com futuros imaginários, neste mundo de imagens sem sentido e descartáveis, consumidas num piscar de olhos tão logo aparecem, o que se pode fazer que dure? È possível aspirar criar uma obra de arte num mundo onde o caos transformou-se em regra?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Nos sonhos, carrego a marca do tempo e do sol, milhas navegadas, guerras. Lá, no mundo onírico, a sobrevivência me deixou marcas, cicatrizes. A vida real, é claro, também me deixou marcas, mas que marcas são estas? As marcas de nosso tempo:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Não tenho nada, por isso não sou nada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Não sou útil, por isso, sou descartável. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Não há fuga. Não adianta tentar se isolar do mundo, entre livros, entre fantasias que já não dizem mais nada. Já é tarde. Quem são estes desconhecidos que falam em minha cabeça, quem são estes aos quais não consigo negar meus sonhos e imaginação?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-5510307174040230295?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/5510307174040230295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=5510307174040230295&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/5510307174040230295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/5510307174040230295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/12/no-sei-se-mentiram-para-mim.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-4211440043510963621</id><published>2006-11-30T21:15:00.000-02:00</published><updated>2006-11-30T21:16:16.109-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mini-conto'/><title type='text'>Fuga</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O garçom veio até ele e, como de praxe, estendeu o cardápio. Ele ficou ali, com a cabeça entre as mãos, olhando para a lista, mas sem vê-la, sentia vagamente a insignificância de sua vida. Alguns minutos depois, o garçom veio novamente e perguntou:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;“O que deseja, senhor?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;“Morrer...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O garçom deixou escapar um leve espanto, depois, recuperado, perguntou novamente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;“O que deseja, senhor?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ele levantou seus olhos e olhou para o garçom, falou a primeira coisa que veio em sua cabeça: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;“Uma vodka, por favor...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;“Um minuto, senhor...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O garçom se fora para o bar, buscar a dose e ele ficou sozinho novamente. Sozinho em meio a todas aquelas pessoas: falando, bebendo, fumando. Todos desesperadamente tentando não se afogar em sua vida cotidiana, tentando, de alguma forma, matar aquela sensação de vazio que cresce mais e mais e que sufoca aos poucos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ele já não se sentia como um deles, não conseguia mais se identificar com aquelas pessoas, já não podia respirar tranqüilamente como eles, começava a se afogar em uma vida vazia e sem sentido, não podia entender como é que nunca pensavam sobre sua miserável condição. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O calor naquele dia estava insuportável e ele estava encharcado de suor. Ali perto havia uma lagoa que contribuía muito para a umidade excessiva e não deixava que uma gota de seu suor evaporasse. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;De repente, alguma coisa se movimentando atraiu sua atenção para a movimentada rua onde o bar se situava. Notou uma coisa se movendo sobre o asfalto, aos pulos. Um sapo vinha pulando, provavelmente da lagoa, seguindo algum velho instinto, que o obrigava a ir naquela direção. Ele entrou na rua e não demorou muito para que um carro o esmagasse. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Isso aumentou ainda mais a tristeza do homem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O garçom trouxe a vodka. Ele começou a beber devagar, sentindo o líquido transparente queimar por onde passava. Não pode evitar pensar na morte. Na morte em geral, mas também na morte daquele pequeno sapo, não era justo... &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Outros sapos apareceram e todos foram esmagados. As rodas cobravam um pesado tributo para aqueles animais. &lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Queria poder fazer algo, mas não havia nada para fazer. Enquanto olhava para os sapos, um besouro se desgarrou da lâmpada de um poste e veio em uma espiral até o copo com vodka pela metade. Quando ele foi tomar mais um gole, percebeu o inseto. Olhou para ele incrédulo, não acreditava que ele tinha vindo se afogar justamente em seu copo. Colocou o copo sobre a mesa e disse para sim mesmo:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;“Qual será o gosto de um inseto?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Antes que ele se decidisse a provar, o garçom veio e viu o copo com o inseto dentro, pediu desculpas e foi pegar outra dose, voltando, perguntou para o homem:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;“Mais alguma coisa?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;“Alguma mosca, tem?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;“Aqui está a dose, senhor...”, o garçom já tinha perdido a paciência com o homem, mas estava acostumado a lidar com bêbados e, fez o que normalmente faz, ignorou o que ele pensou fosse uma brincadeira de mau-gosto. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Olhou de novo para a avenida:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;“Por que não desistem?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ele ficou lá, parado, olhando para o copo de vodka durante muito tempo ainda, às vezes, olhava para os sapos que não paravam de morrer sob as rodas, ele estava cansado demais para continuar, também não podia mais ficar mergulhando no mundo que vivia, não dava mais para respirar. Ele se levantou, pegou a carteira no bolso de trás, tirou o dinheiro, todo ele, e o deixou na mesa para o garçom. Andou até a beira da avenida, ainda conseguia ouvir o rumor das pessoas atrás de si, sentia o cheiro dos cigarros e das bebidas, respirou fundo e, junto com os sapos, mergulhou na avenida.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-4211440043510963621?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/4211440043510963621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=4211440043510963621&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/4211440043510963621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/4211440043510963621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/11/fuga.html' title='Fuga'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-5115494955449024051</id><published>2006-11-23T16:21:00.001-02:00</published><updated>2006-11-23T16:21:36.646-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Eu ficava, quando garoto, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;o dia todo parado no portão de minha casa. Minha mãe ocupada, meu pai trabalhando. Ficava chupando minha camiseta e olhando o mundo que passava: na casa da frente, todo dia, saiam as duas velhas, saiam caminhando com seus sapatinhos velhos pela rua de terra. Eram gêmeas, idênticas, todo dia saíam para algum lugar, sempre no mesmo horário. Queria acompanhá-las, seguí-las, mas eu não podia sair, minha mãe, neurótica de medo do mundo, não me deixaria sair.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;O tempo passou, e, num dia muito triste, notei que uma delas agora saía sozinha. Nunca mais a outra apareceu. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Por fim, cresci, e, finalmente, consegui sair, neste dia já não chupava mais minha camiseta, já não procurava mais o gosto de sabão de pedra na roupa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Apesar de tanto tempo passado, ainda vejo a velhinha, seus movimentos lentos, quase congelados, sua cabeça curvada sobre um ombro, o pescoço já não agüentava mais o peso do tempo. Ainda me lembro que toda a tristeza do mundo pesava naquela senhora, que ficava dias e dias, parada, procurando as chaves na bolsa, a chave certa para abrir o grande portão de madeira, a grande tampa de madeira que a escondia do mundo, que a escondia de mim... &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: System;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-5115494955449024051?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/5115494955449024051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=5115494955449024051&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/5115494955449024051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/5115494955449024051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/11/eu-ficava-quando-garoto-o-dia-todo.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-730731530541508517</id><published>2006-11-23T15:36:00.001-02:00</published><updated>2006-11-23T15:36:35.386-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;A lua, o sorriso do gato de Cheshire, taí, pensei, já vi muitos gatos sem sorriso, mas nunca um sorriso sem gato, e ri sozinho, bêbado, com vontade de uivar para a lua. Que maravilhoso sorriso sem gato era aquele, vontade de chorar, de gritar. Caí sentado, o mundo girando, girando. O céu rodava e &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;tentei, em vão, fazer com girasse no sentido contrário, mas insistiu em continuar pro mesmo lado, acabei enjoado, nunca consegui fazer nada direito para a esquerda...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Vomitei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Olhei de novo para as pessoas que andavam ao luar, tentando me ignorar, o gato sorriu para mim de novo, voltou o passado, aquela &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;física de Einstein, será que a lua deixa de existir quando não olhamos para ela? Nuvem de probabilidades... Nuvens... Podia ter sido, podia... Como foi que cheguei aqui? O sorriso do gato, as pessoas, as probabilidades...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Não pára de rir da minha cara, rimos juntos da ignorância daquelas pessoas, acordei com o sol em meu rosto, queimando, a garrafa vazia, vermelho, de sol, da bebida...&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: System;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-730731530541508517?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/730731530541508517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=730731530541508517&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/730731530541508517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/730731530541508517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/11/lua-o-sorriso-do-gato-de-cheshire-ta.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-5730991557723907054</id><published>2006-11-23T15:19:00.001-02:00</published><updated>2006-11-23T15:19:34.047-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Os dois brigavam no carro parado em frente de uma padaria cheia de onde todo mundo podia vê-los e viam que ela dizia coisas terríveis e obscenas para ele e que ela desceu do carro batendo a porta com toda a força e ele gritou de dentro do carro que ela não valia nada, que era apenas uma gorda estúpida e que dia infernal tinha sido aquele em que ele foi, bêbado, comê-la sem camisinha...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;A porta foi batida com muita força e o carro saiu cantando pneus porque ele queria mesmo era chamar a atenção de todos para como ele tinha resolvido a situação e quando ela finalmente desabasse em um choro convulsivo que ele sabia que viria logo que ele virasse as costas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;E ela sentiu tanto ódio e tanta vergonha que quis morrer, mas não podia morrer, ignorou o olhar de todos e, chorando, sentou-se na mesa perto da calçada onde era aberto e acendeu um cigarro enquanto chorava e sentiu os olhares de todos sobre si e o tempo passou no ritmo do cigarro que queimava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Os olhares foram, um a um, voltando para onde estavam antes e o choro foi morrendo e o cigarro queimando e o carro já ia longe...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;E o filho crescia em sua barriga e ela não se importava em fumar porque já tinha decidido pelo pior. Se não podia matá-lo inteiro, mataria ao menos um pedaço e mataria também um pedaço de si, por vingança, e seria um monstro como ele e também como Deus e tudo e a vida, que &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;não presta e o amor que não existe e o dinheiro, meu Deus, que nunca chega para passar o mês....&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: System;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-5730991557723907054?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/5730991557723907054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=5730991557723907054&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/5730991557723907054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/5730991557723907054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/11/os-dois-brigavam-no-carro-parado-em.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-1151034192166603826</id><published>2006-11-23T15:09:00.000-02:00</published><updated>2006-11-23T17:04:20.287-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color:black;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ele acordou atrasado e saiu correndo, meio dormindo, meio comendo algo velho e duro enquanto afivelava o cinto. Coitado, fez tudo tão às pressas que não se lembrou do essencial, esqueceu-se de se fechar para o mundo. Pulou dentro do ônibus que já passava. Ainda bem, não chegaria tarde demais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Uma mulher se levanta e ele é quase empurrado para o lugar agora vago. Olhares de fúria. Como um recém-chegado já pode ir se sentando assim?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;De repente, sem aviso ou sintoma prévio, enquanto ele olhava distraído pela janela, uma freada brusca faz com que ele seja atingido, em cheio, pelo mundo ao seu redor:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;No canteiro central, uma garça perdida em meio aquele caos urbano, dança um gracioso balé com uma enorme torre de energia elétrica, branca como ela, dançando como ela, dançando tão lentamente que não se percebe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Repara em um hom&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;em parado na calçada, sujo, maltrapilho, cabelo e barba enormes, gesticulando como um vendedor num mercado persa tentando apagar o fogo que tomava conta do carrinho onde recolhia os pedaços de papelão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style=""&gt;             &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Uma mulher é quase atropelada tentando atravessar a rua, o motorista, ao vê-la, acelerou seu carro. É possível, para ele, sentir toda a agressividade das pessoas: no ônibus, no trânsito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Uma criança vomita no chão do ônibus. O motorista falava muito alto, algo sobre um Corcel II Belina com o motor fundido. Falava enquanto o ônibus permanecia meio atravessado na rua, para desespero de alguns carros que esperavam que o ônibus saísse de lá.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Um velho provavelmente completava seus noventa anos lavando a calçada de sua casa e ignorando completamente os pedestres que tentavam, também com a cara feia, desviar dos jatos de água...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;No banco ao lado, um homem dizia que saiu do hospício naquela manhã e tinha sido roubado pela mãe, sua própria mãe, e dizia também que tinha passado do ponto e que ele morreria se o ônibus não voltasse...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Surge, mancando, um senhor, apoiado por uma bengala, pára em frente ao ponto, e tira rapidamente uma pequena câmera fotográfica do bolso da camisa e bate uma foto das costas de uma mulher de bunda enorme que estava parada encostada em uma placa de sinalização...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Bruscamente, tudo cessa para ele. Não podia absorver mais nada por saturação. Percebeu o que tinha acontecido e levantou suas defesas, tinha sido descuidado naquela manhã, muito descuidado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-1151034192166603826?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/1151034192166603826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=1151034192166603826&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/1151034192166603826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/1151034192166603826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/11/ele-acordou-atrasado-e-saiu-correndo.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-6187695958893089529</id><published>2006-11-22T20:13:00.000-02:00</published><updated>2006-11-23T20:15:05.765-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;A angústia que sentia contaminava todas as palavras de seu texto. Recostada na cadeira, brincando com o anel em seu dedo, ela olhava fixamente para a tela, onde escreveu por brincadeira:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ele está em toda parte, preciso me livrar dele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Leu o que escreveu e apagou tudo, sentiu-se idiota. Trinta páginas viraram quinze e agora nada. Nunca ia conseguir cumprir o prazo da editora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Acendeu um cigarro e sentiu-se tonta, fazia tanto tempo que não fumava. Agora, com um sorriso bobo nos lábios escreveu:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ele não gosta que eu fume, ele não gosta de nada, é um velho chato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ela repetia em sua cabeça mil vezes sua história, as linhas que ela devia seguir, mas ela sempre chegava nele, tinha decidido que era aí que estava todo o problema: hoje, quando ele chegasse, colocaria um ponto final na relação. Não podia mais evoluir vivendo com ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Brinca um pouco com a fumaça do cigarro e, por um momento, abandona o mundo de seus pensamentos, não pensa em nada, apenas sente, olhando aquela fumaça cinzenta brincando pelo quarto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;O som da porta do elevador a traz de volta. Ouve os passos dele se aproximando.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ela, instintivamente, arruma seu cabelo em um rabo e apaga o cigarro, como se sentisse culpa. A porta se abre e ela o vê entrando apressado:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“O bom filho a casa torna... demorou, hein?!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Odiava o jeito cansado, idoso,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;com que ele se movia, o excesso de cuidado acompanhado de constantes deslizes, esbarrões. Gestualmente ele aparentava muito mais idade do que realmente tem, age como se tivesse centenas de anos. Ele vem até ela, com os gestos mecânicos de sempre e a beija na testa, apressado, evitando seus olhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Então. Estão me esperando, aconteceu uma coisa na zona sul, estão todos lá embaixo, me esperando, não vou poder sair com você como combinamos, só passei para pegar umas coisas”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Estava decido, ela tinha decidido, tinha que ser naquele dia e ele escapava, tinha que pôr um fim naquilo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Tudo bem, eu já comi umas tranqueiras... Eu... eu... eu não consegui revisar o capítulo, na verdade, apaguei tudo e, sabe, eu queria falar com você...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ela começou, sem perceber, a tirar o anel de seu dedo, ia devolvê-lo, terminar tudo, mas o devolveu para o lugar num segundo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ele nem se virou. Há seis anos, tinha sido aquele anel que a convencera a ficar com ele, a forma como ele, desajeitado, o derrubou na hora em que fez o pedido, como amou o jeito dele, como parecia meigo, gentil. Foi a única vez em que ela o viu realmente nervoso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ele sumiu na cozinha. Ela ficou ali, imóvel, esperando o momento certo de dizer, mas não conseguia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ele voltou, um pouco depois, com um copo de água na mão, ela ameaça dizer de novo, as palavras param em sua garganta, produz apenas um ruído estranho. Ela se percebe olhando o copo, um intruso na cena, que tremia na mão dele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Você quer? Pode pegar. Toma, pega, eu vou buscar outro...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Não, eu... eu...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ele estava nervoso, muito nervoso. Era a segunda vez na vida que ela o via realmente nervoso, ele nunca ligou muito para aquele emprego, deveria ser algo muito importante para ele estar assim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Diga...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Nada, não, depois eu falo...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ela toma a água, segurando o copo com as duas mãos, como faz desde criança quando se sente desamparada.Ele anda na direção do quarto, onde desaparece.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Eu sou uma idiota. Por que eu não consigo terminar logo com isso?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ela senta novamente na frente do computador e escreve uma fala:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent2"&gt;— Não aceitaria a situação. Ele era um homem muito acomodado, não conseguia mudar nada, pequenas rotinas tornavam-se obsessões para ele. O casamento, bem, o casamento era só mais uma. Relutaria, mas é também minha vida. Minha vida. Terá que entender. Toda história tem um ponto final, e esta encontrou o seu...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Finalmente ele reaparece, só que agora com uma mala na mão. Ela olha e não compreende aquilo, fica atordoada. Aquilo era totalmente inesperado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Não disse que iria viajar...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Pois é, eu...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ela se levanta da cadeira e coloca o anel de volta no dedo, sente os olhos lacrimejando, uma ardência no nariz, um choro vindo do nada começa a querer brotar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Não vai, não é?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ela olha para as mãos dele, elas estão tremendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Preciso dizer uma coisa, faz tempo que tomei uma decisão...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Como assim? Que decisão?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Sabe. Eu quero viver minha vida, quero minha liberdade de volta, minha intimidade de volta...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Você que me deixar?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Eu, eu não suporto mais dividir minha vida com outra pessoa... descobri isso, não suporto... sabe como sou reservado... você sempre se intromete em tudo, quer saber de tudo, eu não...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Não pode fazer isso comigo, não pode simplesmente terminar tudo assim, do nada...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ela comprime com força o anel com o polegar, não quer que ele saia de seu dedo. Ele não consegue mais encará-la, nunca conseguiu vê-la chorando, nunca conseguiu ver ninguém chorando em sua vida, era algo que o desesperava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Preciso ir, ela... eles...” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Os olhos dela se voltam rapidamente para ele, uma expressão de ódio crescente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Eles... eles estão esperando, não fique assim, eu...”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Ela? Então é isso?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Não, eu... eu...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ele nunca soube mentir, o desconforto chegou ao limite. Ele se virou para a porta, queria fugir, mas não conseguia:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Não, não acredito que você foi capaz, meu Deus...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ele sente vontade de beijá-la, de abraçá-la, não suporta o choro. Ela percebe isso e recua. Vira suas costas para ele. Não suportaria que ele a tocasse. Mas espera que ele ocorra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ouve, finalmente, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;a porta se fechando, um carro partindo. Olha para o anel em sua mão, a causa de tudo, ela o retira com cuidado, e o leva até seus lábios, como se o beijasse, fica assim, chorando, até que se cansa, então, abre os olhos e sente toda a raiva e frustração do mundo, seus olhos exprimem seu ódio para aquela coisa e, de repente, lança o anel pela janela, para longe, para nunca mais.&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:System;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-6187695958893089529?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/6187695958893089529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=6187695958893089529&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/6187695958893089529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/6187695958893089529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/11/angstia-que-sentia-contaminava-todas-as.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-863701594982667032</id><published>2006-11-21T17:23:00.001-02:00</published><updated>2006-11-21T17:23:32.876-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneio'/><title type='text'>Retrato Acadêmico</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;CG, má poeta, má pesquisadora, má fotografa, má professora doutora, pós-doutora, má esposa... má, má e má... não sabe que é má... Primeiro vieram anjos, canduras e poetas, depois, um fluxo incontido subindo à cabeça... Têm OB pra fluxo cerebral, mãe? Não tinha. Sujou as páginas com seu sangue...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Não é sangue não, filhinha, é cocô, repara na cor, na textura, no cheiro, é cocô...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;“Não é não, mãe, é sangue, meu sangue, é lindo, é arte...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Ter merda na veia, que sina. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;CG, agora não mais fluxos, ouviu falar dos astros, seguiu charlatões, agora quer cantar os astros no papel. Titã. Sonho- Nobel estrelado, já futuro-conquistado, viagem por planetas, estrelas, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Sou uma delas, não sou, mãe?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Pequena princesa irreal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Mãe, não é lindo? Olha, um poema...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Joga isso fora, menina, é caca!”&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: System;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-863701594982667032?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/863701594982667032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=863701594982667032&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/863701594982667032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/863701594982667032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/11/retrato-acadmico.html' title='Retrato Acadêmico'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-8133884202562186309</id><published>2006-11-21T16:22:00.001-02:00</published><updated>2006-11-21T16:22:48.932-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mini-conto'/><title type='text'>Retorno</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Em um &lt;span class="misspell"&gt;trailer&lt;/span&gt;, um homem compra um cachorro-quente para um menino que antes arrastou contrariado e chorando de dentro do cemitério para longe de todos os “meus pêsames” e “sinto muito”. O homem perdeu a ex-mulher, e o menino, a mãe. Ambos se receberam na operação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Depois de pronto o cachorro-quente, ele paga e o entrega ao menino, que faz que não com a cabeça, torcendo a cara e mostrando nojo. O pai, irritado, começa um sermão:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;   “Não?!, não vai comer se for assim?! Moleque, você tem que aprender a aceitar o mundo como ele é, ser flexível, veja: até um prédio tem que se dobrar para não ceder. Sua mãe o acostumou mal, não foi? Mas perceba: se o mundo fosse sempre como você quer, sua mãe estaria aqui, não é? Não seria eu aqui, comprando este maldito cachorro quente para você. Sua mãe, meu caro, morreu, é tão difícil para seus sete anos de vida entender isso?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O menino, enquanto ele falava, ficou olhando para ele entre algumas últimas lágrimas e disse:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“Mas... mas eu não gosto de &lt;span class="misspell"&gt;vinagrette&lt;/span&gt;, nem de milho, nem de pão... Saco... Nem de você eu gosto, nem sabia quem você era e agora fala que é meu pai...”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O homem muda de cor, percebendo a ex-mulher no garoto, alguém que esperava nunca mais ver na vida. Por fim, joga o lanche no meio da rua e sai arrastando o garoto pela mão.“Vamos ver, pirralho, quanto tempo ELA dura em você, quanto tempo ELA agüenta sem comer...”.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-8133884202562186309?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/8133884202562186309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=8133884202562186309&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/8133884202562186309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/8133884202562186309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/11/retorno.html' title='Retorno'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-9054510991150977936</id><published>2006-11-21T15:53:00.000-02:00</published><updated>2006-11-21T15:55:51.404-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mini-conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arquivo'/><title type='text'>Cigarros, você quer cigarros?</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Andando como quem dança uma polca, um garoto, louco também, descia todos os dias até o banheiro comunitário do velho prédio que cheirava a mofo e desinfetante de eucalipto para esconder outros cheiros orgânicos. Passava, dançando,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;por entre as paredes pintadas metade de cinza e metade de branco e repetia:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Cigarros? Você quer cigarros?, aah, eu tenho cigarros”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;E vinham outros com fezes escorrendo pelas pernas, e as moças de branco berrando atrás:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Não dava para esperar um pouquinho, só mais um pouquinho?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Diariamente, como um relógio, tudo se repetia, tudo era igual, mas diferente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Hospício. Não se pode mais chamar aqui assim, mas não sei como chamam agora, as crianças ainda falam que eu moro no hospício, e concordo com elas, que percebem a falsidade do nome novo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Preocupado com o número de meus dedos, trombei com o sujeito grandalhão que já existia aqui muito antes de mim. Ele fumava escondido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Doidinho, se contar pra alguém eu mato você!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Ele não parecia louco naquela hora, mas ele ficava esquisito às vezes, dizia coisas feias, babava, perdia o controle, não sei como tinha escapado, nem como arrumou o cigarro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Não conto, não conto. Juro que não conto...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Ele ficou esquisito. Passou a me olhar ameaçadoramente, mas não tinha muito problema, não&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;éramos da mesma seção e, raramente, nos encontrávamos pelos corredores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Mas eu tinha muito medo dele. Tinha medo de encontrá-lo sozinho no banheiro, num canto. Ele era mal e eu, eu entendo tão pouco das coisas. Tão pouco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;O tempo foi passou e meu medo também. Agora, inventaram que temos que nos ocupar, toda uma oficina nova foi construída onde antes era depósito, aulas de marcenaria. Encontrei com ele de novo, na aula, e ele nem olhava pra mim. Já tinha esquecido. Fiquei junto com o garoto da polca, gostava dele, e ele de mim, ele falava sozinho o tempo todo, mas só de manhã, no banheiro, oferecia seus cigarros imaginários para seus companheiros de dança. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Na aula, naquele dia, o grandalhão estava pior, balançava a cabeça, babava, devem ter dado algo para ele, seus olhas rodavam em busca da saída nunca encontrada. Não parava de fazer barulhos com a boca, atrapalhava a aula, começou a gritar palavrões, coisas horrendas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;O professor perdeu a paciência, que costuma ser tão grande, apesar de nunca parecer&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;gostar de estar ali. Eu também não gostava, mas eu era obrigado, problema de cabeça, diziam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Fora, disse ele, eu já falei para você parar, não falei?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;O grandalhão achou a saída. Seus olhos perceberam o professor com ódio.Mas saiu. Saiu gritando indecências enquanto com uma mão socava a outra. Babas, barulhos, gritos, todos perderam o controle de uma vez. Eu continuei brincando com a madeira, passando cola, juntando os pedaços, tinha medo. As coisas que eu fazia vendiam na lojinha, ajudava a pagar as despesas. Terapêutico. Aprendi a palavra, eu melhorei muito, antes não aprendia nada. Estou aqui porque fugi de casa um dia, me acharam sujo, rasgado, enrolado num cobertor velho. Não falava nada com nada. Tinha ficado louco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;De repente, todos as babas e barulhos pararam de novo. Silêncio total. O professor estranhou, olhou para todos, querendo entender o motivo do silêncio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Três pancadas surdas, pan, pan, pan. O grandalhão tinha voltado com um pedaço grande de madeira e acertou o professor pelas costas. Bateu e bateu e bateu de novo. O professor caiu. Muito sangue saia da cabeça do professor, o rio de baba voltou a correr, todos gritavam, gesticulavam, um pandemônio. E o professor desmaiado ali na frente, e o grandalhão pulando em volta dele, balançando o pedaço de madeira. O grandalhão, depois disso, sumiu, o professor também, mas eu continuo preso aqui. Preso na minha cabeça, eles todos continuam presos, presos na minha cabeça, pra sempre.&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: System;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-9054510991150977936?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/9054510991150977936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=9054510991150977936&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/9054510991150977936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/9054510991150977936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/11/cigarros-voc-quer-cigarros.html' title='Cigarros, você quer cigarros?'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-3114858824502083943</id><published>2006-10-27T21:15:00.000-03:00</published><updated>2006-12-12T09:50:41.525-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mini-conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rascunho'/><title type='text'>Vogais</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;O avozinho reparou na criança sentada, brincando de rabiscar cópias das letrinhas que via no jornal, e, vendo aquilo,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;achou que já estava na hora de ensinar o pequeno a ler:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;“Sabe o que são estas coisinhas que rabisca?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;“Sim, vovô, são letras, mamãe me contou...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;“Bom, bom, muito bom... E, por acaso, você sabe qual é a primeira de todas as letras?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;“Não sei, vovô, não sei...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;O avozinho fisgou a atenção do menino, e logo foi mostrando os desenhos da letra A. O menino se encantou, o avô mostrou que existiam muitos “As”, que existissem vários tipos de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a-be-cês diferentes, não só aquele tipo que aparecia no jornal. O menino o desenhava por todos os lados, treinando sua caligrafia pelas paredes e papeis da casa. Revistas, jornais, cadernos, papeletas, nem mesmo a bíblia da casa escapou da fúria de aprendizado do rapazinho. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Tomou a decisão de ensinar primeiro as vogais para o menino, seria mais fácil assim. Depois, passaria para as consoantes. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Depois do A, logo ensinou o E, e o I e, agora seria a vez do O.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;“Sabe, meu pequeno, qual é esta letra? Esta letra redondinha?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;“Não sei, não”, disse o menino.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;“Esta letra é o O... oh, o, é... oh, oh...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;O avozinho morreu, assim, sem mais nem menos, sem concluir o a-be-cê, deixando escapar um O como seu último suspiro.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;O menino não ficou chocado, ficou chateado por não ter mais seu antigo mestre. Chorou, esperneou, queria aprender o resto. Já era abril, os pais acharam que já era tarde demais, mas conseguiram matricular, um ano antes do normal, o menino na primeira série de uma escolinha particular.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;No primeiro dia de aula, chegou todo orgulhoso, beijou sua mãe e entrou na sala de aula, ela soube da história do menino, que ele tinha aprendido apenas as vogais, então, resolveu revisar com a classe.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;“Crianças, hoje vamos rever as vogais... este é o A, este o E...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;A professora ia desenhando as vogais no quadro. O menino repetia com força as vogais, feliz, contente por já saber tanto, seu coraçãozinho pulava de alegria, a cada vogal desenhada, ele repetia dentro de si: “Já conheço, já conheço...”, cheio de orgulho de si e do avozinho. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;“Este é o I”, e todos repetiam: “IIIIIIIIIIIII...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;“E este é o O...”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;“OOOOOOOO...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Sentiu medo, medo de que acontecesse algo também com a professora. Mas não, nada&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;aconteceu, ela olhou, sorrindo, enquanto via que todos repetiam a letra. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;“E por último, a letra U.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Ela desenhou o U no quadro-negro. Enquanto todos os outros meninos repetiam a letra, ele sentiu algo terrível. Algo se quebrou dentro dele, sua segurança se foi. Era o desconhecido. Seu avô não havia ensinado tudo para ele, aquilo era o fim, havia vogais além do O. Quantas mais existiriam? Sua alegria se tornou ódio, um ódio terrível por seu avozinho, pela professora e por todos os garotos à sua volta, todos conhecedores das vogais.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-3114858824502083943?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/3114858824502083943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=3114858824502083943&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/3114858824502083943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/3114858824502083943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/vogais.html' title='Vogais'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-6773531807105585279</id><published>2006-10-26T21:47:00.000-03:00</published><updated>2006-10-26T21:48:07.780-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não dá para acreditar que o povo brasileiro seja tão complacente com o que acontece. É um roubo descarado em plena luz do dia e ninguém faz nada. Talvez, somente esperando sua vez de meter a mão no bolo. O nosso excelentíssimo presidente é um exemplo de que o melhor capataz é aquele que já foi escravo: trabalha em favor dos senhores e despeja toda uma nova crueldade adquirida naqueles que um dia foram seus pares. Mas ao que parece, os escravos aqui desejam ser punidos mais alguns anos. Vai entender... &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-6773531807105585279?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/6773531807105585279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=6773531807105585279&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/6773531807105585279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/6773531807105585279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/no-d-para-acreditar-que-o-povo.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-2512284157038234680</id><published>2006-10-26T21:37:00.000-03:00</published><updated>2006-10-26T21:38:53.295-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Uma das poucas pessoas que ainda passa por aqui me perguntou sobre o paradeiro dos textos antigos. Bom, os textos antigos foram apagados junto com o blog. É, eu apaguei o blog em um momento de, sei lá, raiva, algo do gênero. Ainda tenho uma cópia dos textos, então, recoloquei alguns aqui. Até. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-2512284157038234680?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/2512284157038234680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=2512284157038234680&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/2512284157038234680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/2512284157038234680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/uma-das-poucas-pessoas-que-ainda-passam.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-6401840729917008668</id><published>2006-10-26T19:01:00.001-03:00</published><updated>2006-10-26T21:40:54.125-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneio'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;            Um rumor, algumas imagens apenas. A idéia foi crescendo e crescendo e tomando conta. Como é possível algo assim? É possível uma fonte tão remota exercer uma força tão poderosa? O tempo corre lentamente agora, o chamado não pára, um constante sussurro em meus ouvidos, interminável, indizível...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-6401840729917008668?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/6401840729917008668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=6401840729917008668&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/6401840729917008668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/6401840729917008668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/um-rumor-algumas-imagens-apenas.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-2065758274668586131</id><published>2006-10-26T18:57:00.001-03:00</published><updated>2006-10-26T18:57:31.103-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arquivo'/><title type='text'>Nostalgia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando criança corria descalço por ruas de terra. Fumava bitucas de cigarro escondido. Meu pai, eu com quatro anos, me deu o primeiro gole de cachaça: “Isso é pra te ensinar a beber meu filho, porque se eu descobrir que um dia a bebida está bebendo você, arrebento sua cara.” Bolinhas de gude. Pipas. Fugir para nadar escondido. Fugir para o telhado. Subir em árvores. Correr a toda velocidade de bicicleta, trombar, cair, cicatrizes. Ah, quantas cicatrizes. Para enumerá-las precisaria de um texto longo. O mundo mudou tanto, na infância sonhava com o oceanos, piratas, fragatas, viagens, descobrimentos, viagens espaciais, espaço naves, cowboys, espiões, hoje, o que sobrou hoje? O que se pode esperar desta vida? Fui arrancado de um tempo e jogado em outro, vivo todo momento a nostalgia do passado, não vejo ligação, só uma dolorosa ruptura... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-2065758274668586131?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/2065758274668586131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=2065758274668586131&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/2065758274668586131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/2065758274668586131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/nostalgia.html' title='Nostalgia'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-115340441522467082</id><published>2006-10-26T18:55:00.001-03:00</published><updated>2006-10-26T18:55:46.806-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arquivo'/><title type='text'>E Passa uma Borboleta</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Vodka, vodka e mais uma dose de vodka, pura por favor, gelada, se possível. Onde está a transcendência? Vagava por aí tentando recuperar os fragmentos da vida, no copo, aquela bebida transparente, minha própria antítese, eu escuro, enrolado em panos escuros, unhas negras, que causam tanta sensação na moça da padaria quando lhe pedia um maço de cigarros. “Você é dark, meu?”, disse, “não minha cara, sou triste, triste por não entender o mundo, sinto uma angústia, uma sensação...” ela voltou a contar o dinheiro, não queria ouvir lamentações...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Uma moça se aproxima e pergunta:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“O que está tomando?” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Uma coisa light...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Ela pega o copo e o cheira: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Light, só se for no fim do túnel, meu chapa. Ela tinha uma borboleta tatuada no braço, o que estaria fazendo uma borboleta tão linda vagando pela noite, pena, eu era uma mariposa, ela deveria ser luz, lua ou qualquer brilho, então eu poderia ficar girando, girando, girando, cada vez mais perto, mas nunca tocando... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Ela quis beber vodka também, coitada, minutos depois estava terrivelmente bêbada, falando sobre coisas que não vi, livros que não li, foi dançar, a borboleta virou presa de alguém, ficou por lá... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Como era mesmo aqueles versos de Fernando Pessoa, sobre uma borboleta?” Nenhum fragmento... pensei em minha casa, naquele monstro chamado caolho chamado televisão, tentando me convencer sobre coisas, tentando me vender uma vida que não pode ser minha, o passado é tão triste, o futuro também, o presente, bem, o presente não existe mesmo... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Agora me acertei, não é mesmo? Cores, me disfarcei com cores para que ninguém percebesse, tirei as marcas negras de minhas mãos e de meu rosto, finjo alegria, finjo viver a vida deles, mas não adianta, sinto a vertigem o tempo todo, vontade de me atirar daqui, para que continuar a escalada? Para quê?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;          &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-115340441522467082?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/115340441522467082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=115340441522467082&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/115340441522467082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/115340441522467082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/e-passa-uma-borboleta.html' title='E Passa uma Borboleta'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-8299435125911040032</id><published>2006-10-26T18:46:00.000-03:00</published><updated>2006-10-26T18:48:09.049-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;             E todo o tempo surgem modas idiotas, estúpidas, orgânicas, biodinâmicos, hidropônicas... e a vida que é bom, necas. Alguns vivem comendo verduras, não podem suportar a dor dos bichinhos, tadinhos, “olha só as vaquinhas, como será que as viveriam as vaquinhas se não fossem alimento predileto do homem?”. Macrobióticas, isto é o que elas seriam. “Não, não, nada que não seja 'natural', tudo isso faz muito mal.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;             Estranho é que, mesmo com tantos cuidados, por dentro, esta seco, tudo seco. “Não sinto mais nada aqui não, meu amor, sublimei meu desespero em outra coisa, transformei em caridade, em presentinho para as criancinhas famintas, que me cobram todo mês na forma de um homem de motocicleta, ele vem cobrar a taxa mensal do bem estar. Do meu bem estar, é claro.” &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;        De vez em quando lê a bíblia, algumas vezes com fervor, procurando respostas, não encontra, nada, mas finge que sim. “Por que todos que passaram por minha vida me abandonaram? Meus amores, todos se foram. Por que esses filhos insensíveis, que agora me consomem?” Pensou que fazia o certo, tinha certeza disso, sabia que viver não era importante, mas sabia o que era importante: o importante era viver bem, era ser saudável, o importante era manter hábitos saudáveis, custe o que custar, mesmo que isto leve junto sua natureza, suas paixões, de forma lenta e imperceptível, porém implacavelmente.&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: black;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-8299435125911040032?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/8299435125911040032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=8299435125911040032&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/8299435125911040032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/8299435125911040032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/e-todo-o-tempo-surgem-modas-idiotas.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-5366325835349347851</id><published>2006-10-26T18:32:00.000-03:00</published><updated>2006-10-26T18:33:07.064-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mini-conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arquivo'/><title type='text'>Vingança</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Ficou o dia todo bebendo, maquinando seu plano de vingança. Decidido, saiu do bar a toda, num ziguezague constrangedor, que o levaria direto para sua casa, pois hoje tinha faltado do trabalho para matar a vagabunda, pegá-la em flagrante, com o tal amante que todos comentavam pelas suas costas. Ela só dava gastos e ainda tinha coragem de córnea-lo, ontem mesmo ela tinha comprado, descaradamente, um sofá novo em mais de vinte prestações.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Ele era um negro enorme, pedreiro dos bons, mas dado à bebedeira, o que irritava muito a mulher. Finalmente avistou sua casa, em frente ao portão um carro parado: “Então esse é o carro do vagabundo...”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Parou no portão da casa, ouvia a voz do desgraçado, rindo. Riam ambos, riam do idiota que se matava para pagar as contas enquanto outro aproveitava as melhorias. Pegou um pedaço de tijolo que estava à mão, e entrou, deu de cara com o sujeito já na porta, saindo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Sem falar nada, socou &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;a cara do homem com o tijolo. O outro caiu desacordo e levou outros golpes, que fizeram um de seus olhos saltarem fora do globo ocular. “Pronto, tá morto, filhadaputa!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;A mulher, inicialmente sem reação, só conseguiu dizer:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Meu Deus,o que você fez?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Ele olhou para a mulher, furioso: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“E você, cala sua boca, é a próxima...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Ela correu em busca de ajuda, e, na esquina, encontrou um grupo de homens e gritou para eles:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Me ajudem, me ajudem, meu marido enlouqueceu, acabou de matar o moço que veio trocar os pés do sofá, e agora quer me matar...”&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-5366325835349347851?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/5366325835349347851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=5366325835349347851&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/5366325835349347851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/5366325835349347851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/vingana.html' title='Vingança'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-5999395109900382872</id><published>2006-10-25T22:30:00.001-03:00</published><updated>2006-10-25T22:30:53.638-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 27pt; text-align: justify;"&gt;Por que somos tão afeitos aos “males necessários”? Este pensamento contamina tudo, do futebol a política, das coisas mais ínfimas as mais importantes, sempre estamos dispostos a aceitar este ente, o tal do “mal necessário”, e querem que acreditemos que é como tomar um remédio amargo, ou quando, crianças de minha geração, pelo menos, tinham que encarar o tal do &lt;i&gt;Merthiolate&lt;/i&gt; depois de conseguir ralar o joelho: “Arde mas sara!” Será? O &lt;i&gt;Merthiolate&lt;/i&gt; já caiu em desuso, não seria mal repensar estas outras coisas que nos causam sofrimento. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 27pt;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-5999395109900382872?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/5999395109900382872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=5999395109900382872&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/5999395109900382872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/5999395109900382872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/por-que-somos-to-afeitos-aos-males.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-7630031875857143105</id><published>2006-10-25T17:21:00.000-03:00</published><updated>2006-10-25T17:22:08.081-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneio'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;Cinema. Está aí uma coisa que me encantava, me deixava bobo quando criança ver toda aquela fantasia transformada em imagem. Pois é, agora não ando mais sentindo nada, vejo filmes de arte, e nada, filmes hollywoodianos, e nada. O que será? As formulas se esgotaram, estão gastas? Só nos clássicos ainda vejo alguma vida, e, é claro, em alguns filmes que marcaram minha infância, e agora são chamados de filmes ‘cult’, por algum tipo de sentimento de retribuição pelas horas alegres que me proporcionaram. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-7630031875857143105?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/7630031875857143105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=7630031875857143105&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/7630031875857143105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/7630031875857143105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/cinema.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-3083061348068096758</id><published>2006-10-20T21:26:00.002-03:00</published><updated>2006-10-20T21:27:24.069-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Desculpem o tom, deve ser o halloween, é isso, é o halloween...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-3083061348068096758?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/3083061348068096758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=3083061348068096758&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/3083061348068096758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/3083061348068096758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/desculpem-o-tom-deve-ser-o-halloween.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-2478892996567181867</id><published>2006-10-19T21:04:00.002-03:00</published><updated>2006-10-24T16:35:07.460-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mini-conto'/><title type='text'>Cinza</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Sentado, ele meditava acerca da natureza da escuridão. Escuridão que carregava em sua roupa, toda negra. O branco arrogante não servia, achava que tinha tudo, repelia todas as outras cores como se nada precisasse. Mesmo tão jovem já vivia de luto pela incerteza da vida.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;“Todas as cores formam o branco, nenhuma cor, o preto...” O preto era sua cor, sempre absorvendo tudo, mas sempre vazio. Sorrisos sintilavam a sua volta naquela festa. Um deles sorriso para ele, envolto em branco, uma mulher.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Quando percebeu a brancura da roupa e do sorriso dela, vindo em sua direção, recuou por instinto. Ela aproximou-se e puxou uma cadeira. Começou a conversar sobre música, sobre filmes, sobre tudo. Nada do que ela gostava lhe agradava,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;mas tudo que ele dizia gostar ela amava.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Ele a acompanhou em diversos copos de bebida, e o branco agora brilhava, atraia... Ele só tinha dezessete anos. Um menino praticamente, e assim se sentia agora, um menino feliz. Foram juntos para a casa dela, e ele, pela primeira vez, sentiu desejo; desejo pelo branco, pelo sorriso, pelo oposto. Os dois se amaram como se tudo fosse se acabar, com fúria e paixão...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;No outro dia, bem cedo, ele triste por ter cedido, ela triste, por achar que não foi bom para ele, sentindo culpa por ele ser tão jovem. O branco e o preto são opostos, mas não se anulam, se misturam, e o que sobre é só o cinza. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-2478892996567181867?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/2478892996567181867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=2478892996567181867&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/2478892996567181867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/2478892996567181867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/cinza_19.html' title='Cinza'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-2993590806274755622</id><published>2006-10-19T19:46:00.000-03:00</published><updated>2006-10-24T16:36:18.480-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneio'/><title type='text'></title><content type='html'>Sentado, vendo o pôr-do-sol. Vermelho e cinza combinados maravilhosamente. Depois vêm as estrelas, sempre iguas, sempre diferentes. Por que estou chorando? E pensar que até mesmo as estrelas morrem. Volto para o mundo e tenho uma penosa caminhada para casa, os dedos negros da noite já não me afagam como antes. Depois, o sol retorna e com ele leva todos os sonhos do mundo, o nascer-do-sol é terrível...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-2993590806274755622?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/2993590806274755622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=2993590806274755622&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/2993590806274755622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/2993590806274755622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/sentado-vendo-o-pr-do-sol.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-6024943371784869463</id><published>2006-10-19T19:36:00.000-03:00</published><updated>2006-10-19T19:38:23.653-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;"Though fallen thyself, never to rise again,&lt;br /&gt;Live and take comfort. Thou has left behind&lt;br /&gt;Powers that will work for thee; air, earth, and skies;&lt;br /&gt;There's not a brething of the common wind&lt;br /&gt;That will forget thee; thou hast great allies;&lt;br /&gt;Thy friends are exultations, agonies,&lt;br /&gt;And love, and man's unconquerable mind".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wordsworth&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-6024943371784869463?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/6024943371784869463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=6024943371784869463&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/6024943371784869463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/6024943371784869463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/though-fallen-thyself-never-to-rise.html' title=''/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-2927905175672632297</id><published>2006-10-19T07:26:00.000-03:00</published><updated>2006-10-20T21:28:52.475-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mini-conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arquivo'/><title type='text'>Ressurreição</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 45pt;" align="right"&gt;Dedicado a Dennis D.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;Um homem está caído, imóvel, em uma calçada de uma rua próxima ao centro da cidade. É uma fria noite de julho. O homem não passa de um mendigo e cheira mal, as pessoas passam por ele e fazem cara de desgosto, os sentido incomodados, como se fosse uma ofensa alguém morrer no meio da rua.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;Alguém, descuidadamente liga para a polícia, que, sabendo de antemão do que se tratava, vem, sem pressa, recolher o corpo do homem. Recolheram o corpo sem cuidados e o levaram para o necrotério da cidade, onde o deixaram, sem nem mesmo a formalidade de um saco preto ou da geladeira, em cima de uma das mesas de autópsia, ao lado de outros, que tiveram a mesma infelicida de morrer nesta noite. O tempo foi passando e nada do legista de plantão.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;A temperatura mais amena da sala aqueceu, pouco a pouco, o corpo do homem. Por fim, ele sentou-se sobre a mesa de metal, abriu os olhos e deu uma olhada em volta, viu os instrumentos, os corpos sobre as outras mesas. Porém, estranhamente, não ouve nenhum tipo de espanto da parte do homem, ele sabia exatamente o que havia acontecido. Deu uma boa olhada para si mesmo, e disse: “Milagre, isto foi um milagre”. Neste momento ele sentiu todo o poder que emana de um Cristo ressuscitado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;Sentiu também uma outra vontade mais imediata e também muito forte. Ele enfiou a mão no bolso, tateando, e dali foi retirando algumas bitucas de cigarro recolhidas pela rua mais cedo, foi apertando com os dedos e retirando todo o restinho de fumo delas, e o enrolou em uma das tiras de saco de papel que guardava consigo para este fim.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;Acendeu e ficou ali fumando, tranqüilo, enquanto pensava na vida. Sempre teve, de alguma forma, consciência de que era especial, sentia-se diferente, tinha certeza que era. Toda a pobreza e abandono não tinham sido em vão, sentiu que tinha recebido em compensação o pacote completo da santidade, sentiu que poderia fazer tudo, tudo que quisesse, até mesmo transformar água em vinho, tudo. Deu um grande trago em seu cigarro, sentido o prazer do ato: “Delícia, assim está muito melhor!” O gosto do fumo velho desaparecia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;“Já deve ter passado os três dias, tenho certeza...”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;Quando, no passado, afirmou sua santidade, todos riam dele e diziam que era louco, que não falava nada com nada. Por fim, acabou na rua, sofrendo abstinências, sofrimentos e abandono. Mas tudo isso não passou de uma preparação, uma purificação. O que todos diriam agora quando vissem seus milagres?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;O delicioso cigarrinho consumiu-se totalmente, estava livre. Desceu lentamente da maca, esticando as pernas. Acabou sendo atingido pelo silêncio do lugar. Ouvia-se apenas o tiquetaquear do relógio, e isto, acabou fazendo com que ele se sentisse terrivelmente só. Não havia ninguém para conversar, para contemplar sua nova condição, seus milagres. Acabou encontrando a solução:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;“Por que não ressuscitar um destes aí? Eu posso”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;Então, assim foi ele, caminhou até o mais próximo, olhou, examinou, mas não foi com a cara do sujeito, parecia um bandido. Andou até outro, que estava coberto, puxou o lençol, o rosto coberto de faixas ensangüentadas e disse para si mesmo:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;“Não, o primeiro tem que ser mais simples... Tá difícil escolher, hein?”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;Olhou para a última das mesas, um pobre mendigo, como ele, provavelmente vitimado pelo frio. Foi até o sujeito e o reconheceu, sentiu muita pena, lembrou-se de sua vida com uma lágrima. Seria esse o escolhido.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;Inspirou profundamente, esfregou as mãos, sentia-se completamente imaculado e santo. Esticou os braços e tocou o corpo imóvel à sua frente, murmurou algumas palavras e repetiu os gestos três vezes. Esperou um pouco, e, por fim, abriu um dos olhos, para espiar, depois o outro, para ter certeza. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;Nada, nem um mísero movimento. Olhou novamente ao seu redor, certificando-se que não havia ninguém. Não havia. Sentiu novamente todo o peso da realidade, sentiu a solidão, a loucura que voltava, junto com o gosto amargo impregnado em sua língua e que subia do fundo da garganta.Sentiu o frio apertar novamente, e começou a chorar baixinho, soluçando, querendo morrer... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-2927905175672632297?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/2927905175672632297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=2927905175672632297&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/2927905175672632297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/2927905175672632297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/ressurreio.html' title='Ressurreição'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-4219430941869556472</id><published>2006-10-19T07:25:00.000-03:00</published><updated>2006-10-20T21:29:34.173-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mini-conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arquivo'/><title type='text'>Barbarella</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Às sexta-feiras, Maria Augusta, como a chamavam no trabalho, ficava o dia todo olhando para o relógio, esperando o fim do expediente. A figura dela era como um triste esqueleto de pessoa que odiava o falso sorriso de seus colegas de trabalho, que no fundo sabiam que ela não era como eles. Fora dali era Guta para os parentes e amigos, mas também não gostava de ser Guta, nem a Maria Augusta cheia de obrigações, gostava era de ser Barbarella.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Magra, com uma cintura tão fina que era difícil imaginar que suportasse o peso do resto de seu corpo sem se partir, braços finíssimos, onde mal se podia notar que havia algo entre a pele e os ossos, seu corpo todo parecia mover-se como por um passe de mágica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Bebia, já em casa, um copo de rum, esperando pela hora da transformação. Duas coisas eram necessárias para que sua noite fosse um sucesso: que não visse com nitidez o que se passasse, e que não fosse vista com nitidez por todos os outros que habitavam aquele seu mundo secreto. Não foi àtoa que se tornou gótica, amava a escuridão e amargurava uma tristeza profunda em não poder ser assim e viver neste mundo o tempo todo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Deixava os pesados óculos de grau em casa, vestia cuidadosamente a roupa preta, os pesados coturnos e um sobretudo de couro. Terminava a metamorfose com uma pesada maquiagem no rosto, lábios e olhos negros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Antes de sair ouve o telefone tocando, a secretária eletrônica atende: “Você ligou para Guta, ou Barbarella, não importa, a gótica é a mesma, deixe o recado depois do sinal, ou não, o problema é todo seu”. Agora era Barbarella, e Barbarella odiava telefones.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;No metrô, olhos curiosos não paravam de olhar a estranha figura, uns garotos começaram a assobiar a música do filme A Família Adams. Momento incômodo. Desceu do metrô e ainda ouviu um deles dizer: “E aí, Mortícia, não quer vir aqui chupar... o meu pescoço?”. Ignorou a piada e saiu andando pela rua, enquanto andava sonhava com o que viria, com o que faria, conhecia o caminho como a palma de sua mão, mas, sem óculos, e sem poder prever as mudanças no terreno, uma corrente, antes inexistente, que impedia o acesso à rua. Ela rodopiou por cima da corrente, e, sem tempo para se proteger, caiu de cara no chão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ela levantou-se rápido, olhou em rápido, num reflexo de vergonha, não parecia haver ninguém. Sentiu o gosto de sangue na boca, quebrara um dente. Mas isto nem chegou a incomodar Barbarella, uma das mais antigas góticas da noite de São Paulo. Chegou até a entrada de seu mundo, sangue escorrendo pelo canto da boca, o que a tornava mais charmosa naquele lugar, uma vampira recém alimentada. Mas ainda era muito cedo, pegou um copo grande de Campari e foi beber sozinha em um canto. Bebeu até sentir-se tonta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Desceu para o porão, onde ficava a pista de dança. Lotada. Sorriu com o dente quebrado, lambeu o sangue do canto da boca com luxúria, tantas vítimas em potencial. Ela começou a dançar como louca, adorava dançar, sentia que poderia dançar até o fim dos tempos. Dançava e olhava os outros os outros, que apareciam em flashs, congelados em posições estranhas. Ficava um tempo analisando, depois se encostava a um, ou uma, não importava, se aproximava da vítima e partia para o ataque: enlaçava sua vítima e a levava para um canto, abusava dela de todas as formas, do corpo, da juventude, da paixão, e depois a devolvia à pista de dança, e continuava como se nada tivesse acontecido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;De repente, cansou de dançar, estava toda dolorida, talvez da queda sofrida, mas não estava com vontade de ir embora. Chegou até o balcão para mais uma dose de Campari, viu um garoto encostado, uns vinte anos, triste, bebendo sozinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Olá...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Oi...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Por que tanta tristeza?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Problemas...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Que tipo de problemas?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Problemas com minha namorada...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Ah, entendo...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ele olhou de volta para ela, ficou espantado com a figura estranha, mas, por mais esquisito que parecesse, sentiu-se à vontade para falar de sua vida com ela, sentiu que devia falar de sua vida com ela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Qual seu nome?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Barbarella...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ele sorriu e devolveu sua alcunha de jogador de RPG.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Nômade...” hesitou um pouco, mas viu que ela não estranhou o nome que ele lhe dera, “Sabe, o problema é que estamos namorando faz um tempinho, ela tem a mesma idade que eu, só que ela émuito mais experiente, sabe, na cama...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Hmm, sei...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“E ela está louca para transar, mas não quero que ela saiba que nunca fiz, não combina com a imagem que ela faz de mim...”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Então vamos?!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Pra onde?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“Minha casa, não é tão longe e já estava indo mesmo, e preciso de companhia...”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;E ela levou o rapaz para casa, e ela pode encarnar totalmente Barbarella, transaram a noite toda, o amarrou, pingou velas por seu corpo, abusou dele, fez com que ele implorasse, pedisse que parasse, que continuasse...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Às seis da manhã, o relógio despertou, ela se levantou e foi logo mandando que ele fosse embora. Era hora de ir para o trabalho, não tinha tempo a perder. O cara ficou lá, olhando para ela com cara de bobo, recolhendo as roupas. Ele tentou agradecer, mas ela não ouviu, abriu a porta e o mandou sair. Agora voltou a ser Maria Augusta, e de novo, ficaria sonhando acordada todos os dias, com a próxima noite de Barbarella.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="color:black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-4219430941869556472?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/4219430941869556472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=4219430941869556472&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/4219430941869556472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/4219430941869556472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/barbarella.html' title='Barbarella'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-2330958820281405529</id><published>2006-10-19T06:06:00.000-03:00</published><updated>2006-10-20T21:30:09.319-03:00</updated><title type='text'>Retorno</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Depois de uma descida à profundeza do ser normalmente não voltamos inteiros. Pedaços ficam pelo caminho, outras partes perdidas voltam a se agarrar em nós. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Que posso dizer então: De volta, um pouco diferente agora, mas na essência, talvez, o mesmo de sempre. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-2330958820281405529?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/2330958820281405529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=2330958820281405529&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/2330958820281405529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/2330958820281405529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/10/retorno.html' title='Retorno'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36263748.post-8697247083171067841</id><published>2006-03-11T14:49:00.000-03:00</published><updated>2006-12-11T14:50:05.762-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mini-conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='nostalgia'/><title type='text'>Bom Fumante</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Quando foi que fumei meu primeiro cigarro eu não me lembro. Provavelmente deve ter sido uma bituca tirada sorrateiramente do cinzeiro de meu pai. Sempre gostei de brincar de fumar, com pedacinhos de madeira, papel e, às vezes, com bitucas acesas. Achava lindo aquele negócio da fumaça saindo da boca, tipo um dragão, uma coisa meio mitológica. Recordo-me perfeitamente de minha primeira tragada, Meu Deus, foi ao mesmo tempo uma das piores e das melhores experiências de minha vida: andava tranqüilamente, junto com meus amigos, com meu último cigarrinho na boca, puxava a fumaça e soltava pelo nariz, assim, como um dragão. Era um pivete naquela época, nada além disso. De repente um sujeito, um negro velho me chamou para a mesinha de bar onde estava: “Hei, moleque, por que cê fuma assim? Coisa de mulher isso aí...” Não gostei do comentário, mas o cigarro já tinha acabado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“Vem cá, vou te mostrar, olha só...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Ele tirou um cigarro do maço, um Belmonte do Paraguai, acendeu um e puxou um para mim também.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“Acende aí, vai...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Acendeu o dele, depois colocou o isqueiro aceso no meu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“Olha só...” continuou ele, “tem que fazer assim ó...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Os olhos dele brilharam como o do próprio demônio, ele tragou um bocado de fumaça, abriu a boca, uma coisa quase liquida, cinza, por sua garganta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“Viu... viu como é... olha de novo...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;E fez de novo:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“Bom fumante tem que falar dez palavras sem soltar a fumaça.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Agora era questão de honra, quando fiz seus olhos brilharam, tudo ficou confuso depois, sentei na sarjeta, com o cigarro queimando em minha mão, o mundo girando, girando e uma maldição sobre mim: depois daquele dia seria um fumante de verdade. Por fim, quando o mundo parou um pouco de rodar, contei nos dedos e comecei a rir sozinho, “Dez, palavras, a frase tem dez palavras...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36263748-8697247083171067841?l=cronicasmarquianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/feeds/8697247083171067841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36263748&amp;postID=8697247083171067841&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/8697247083171067841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36263748/posts/default/8697247083171067841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmarquianas.blogspot.com/2006/03/bom-fumante.html' title='Bom Fumante'/><author><name>Marco Domingues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_7-nH_AJSfiQ/Swfh-RQxTNI/AAAAAAAAAUI/dQM5-d0dxOA/S220/IMG_0102.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
